Hub Editorial · publicado 14 de maio de 2026
SOMP · O que mudou na medicina da mulher em 12 de maio de 2026
A Síndrome dos Ovários Policísticos ganhou um nome novo. Não é cosmético. É consenso global de 11 anos · 56 organizações · 22 mil respostas globais · publicado na revista médica mais lida do mundo. E muda como a sua condição (ou da sua filha, ou da sua esposa) deve ser entendida e cuidada.
A virada de 12 de maio
Em 12 de maio de 2026, a revista The Lancet publicou o resultado de 11 anos de trabalho do Global Name Change Consortium: 56 organizações acadêmicas, clínicas e de pacientes · mais de 22 mil respostas em pesquisas globais · método Delphi modificado para construção de consenso. O resultado foi simples e gigantesco ao mesmo tempo.
A SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos), nomenclatura oficial desde 1935, passou a se chamar SOMP (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina) · PMOS em inglês.
O Brasil foi parte do consórcio · representado pela Profa. Poli Mara Spritzer (UFRGS), subcoordenadora do departamento de Endocrinologia Feminina da SBEM. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) endossou a renomeação oficialmente na mesma manhã. Dra. Karen de Marca, vice-presidente da entidade, declarou na nota oficial:
"O novo nome deixa mais claro que o diagnóstico vai muito além da aparência dos ovários." — Dra. Karen de Marca · vice-presidente SBEM 2025
Por que o nome velho atrapalhava
O nome policístico criava um equívoco que durava décadas. Pacientes faziam ultrassom, não tinham cisto, e ficavam anos sem diagnóstico · apesar de viverem com sintomas hormonais claros. Médicos olhavam o ultrassom limpo e descartavam a hipótese.
O critério diagnóstico nunca foi cisto. O critério era (e continua sendo) dois entre três:
- Disfunção ovulatória (ovulação irregular ou ausente)
- Hiperandrogenismo clínico (acne adulta, hirsutismo, alopecia androgênica) ou laboratorial
- Morfologia ovariana compatível na ultrassonografia OU nível elevado de AMH (hormônio antimülleriano) em casos onde a ultrassonografia não é conclusiva
Em adolescentes, a cautela diagnóstica preconizada pela diretriz internacional de 2023 é mantida: os três critérios precisam estar presentes simultaneamente para diagnóstico em adolescente, em vez de dois.
A evidência que ninguém mais consegue ignorar
risco cardiovascular geral em mulheres com SOMP
Meta-análise 2020 · 10 estudos · 166 mil mulheres · J Am Heart Assocesteatose hepática não-alcoólica · independente do IMC
Meta-análise · 17 estudos · correlação com hiperandrogenismodas mulheres com SOMP nunca foram diagnosticadas
Consenso 2026 · subdiagnóstico documentado mundialmenteinfarto mais frequente em mulheres com história de SOMP
Cumulativo cardiovascular · consenso 2026Esses números explicam por que polo policístico deixou de servir. A SOMP é metabólica · cardiovascular · poliendócrina · e a saúde mental (ansiedade, depressão, baixa autoestima corporal) é parte da síndrome · não comorbidade avulsa.
Como C+Med cuida da SOMP
A C+Med trabalha há anos com o paradigma sistêmico que o consenso de 2026 validou oficialmente. Três métodos estão no centro do cuidado:
CEMED 6.0 · porta de entrada feminina
Semiologia sistêmica feminina · 6 exames em um dia · leitura cruzada de padrões metabólicos, hormonais e cardiovasculares. Direcionador clínico para Renascer (SOMP) quando a Tríade Metabólica Feminina é identificada.
Criado pelo Dr. José Marcos Ferreira Neves · CRM-BA 13571 · RQE 9695
Renascer Feminino · transformação
Protocolo amplo · 7 perfis femininos · Pilar 4 (Saúde Cognitiva e Neurorregulação) integral ao tratamento · cuidado proativo de ansiedade e oscilação emocional nas primeiras 4 semanas.
Conduzido pela Dra. Rhafaelly Neves Bissiguini · CRM-BA 24216 · RQE 21058
C+ Lab · painel SOMP avançado
Painel laboratorial · marcadores além do convencional: apoB, Lp(a), cortisol matinal, perfil tireoidiano ampliado (T3 livre, T4 livre, anti-TPO, anti-tireoglobulina), HOMA-IR, perfil lipídico avançado, vitamina D, GGT.
Vision 360° · janela vascular
Avaliação oftalmológica completa · microangiopatia retiniana pode preceder em anos manifestações cardiovasculares. Mulher com SOMP tem prevalência elevada de olho seco hormonal · ponte entre saúde da mulher e saúde ocular.
Conduzido pelo Dr. Marcus Vinicius Bissiguini · CRM-BA 24231
Onde começar?
Se você se reconheceu neste conteúdo · ou já convive com a SOP/SOMP e quer entender o que muda para o seu cuidado · a equipe da C+Med conversa com você pelo WhatsApp e organiza o próximo passo, no seu tempo.
Falar com a equipe C+Med pelo WhatsApp →Perguntas frequentes sobre SOMP
O que é SOMP e por que o nome mudou?
SOMP é a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina. Em 12 de maio de 2026, a revista The Lancet publicou o consenso de 11 anos do Global Name Change Consortium (56 organizações · 22 mil respostas globais) renomeando oficialmente a antiga SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos). A mudança reconhece que a condição é metabólica antes de ginecológica · poliendócrina antes de ovariana · e cardiovascular acumulada nas últimas duas décadas tornou impossível continuar chamando de doença policística dos ovários.
Preciso refazer meu diagnóstico se já fui diagnosticada com SOP?
Não. Os critérios diagnósticos seguem iguais. Quem foi diagnosticada com SOP está diagnosticada com SOMP. É a mesma condição com nome mais preciso. O que muda é a forma como a ciência fala disso e como a abordagem clínica vai além dos ovários.
Como SOMP é diagnosticada?
Em mulheres adultas, presença de pelo menos 2 entre 3 critérios após exclusão de outras causas: (1) disfunção ovulatória, (2) hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, (3) morfologia ovariana compatível na ultrassonografia ou nível elevado de AMH em casos não conclusivos. Em adolescentes, os 3 critérios precisam estar presentes simultaneamente.
Preciso ter cisto no ultrassom para ter SOMP?
Não. Esse é um dos motivos que justificaram a mudança de nome. A ciência reconheceu que muita mulher com a condição não apresenta o que se chamava de policístico no ultrassom, e por isso vivia anos sem diagnóstico. O critério diagnóstico nunca foi cisto: era ovulação irregular, sinais hormonais e morfologia ovariana ou AMH alterado como terceiro critério.
SOMP aumenta o risco cardiovascular?
Sim. Meta-análise de 2020 com 10 estudos de coorte e mais de 166 mil mulheres documentou risco geral de eventos cardiovasculares 66% maior em pacientes com SOMP. Infarto é 2,5× mais frequente. Pressão arterial é elevada em qualquer faixa de IMC, inclusive em mulheres magras. Por isso, no cuidado, toda paciente diagnosticada entra em vigilância cardiovascular trimestral pós-protocolo.
Mulher magra pode ter SOMP?
Sim. Pressão arterial elevada e esteatose hepática (2,5× maior) aparecem em qualquer faixa de IMC. Não é só obesidade · é fisiopatologia da síndrome. Mulher magra com sinais hormonais altos também pode ter SOMP e merece avaliação completa.
O tratamento mudou com a renomeação SOP → SOMP?
Não. Os critérios diagnósticos seguem iguais e as intervenções terapêuticas seguem iguais (metformina · antiandrogênicos quando indicados · indutores de ovulação para tentantes · inositol · monitoramento metabólico e cardiovascular · mudanças no estilo de vida). O que muda é a forma como a ciência fala da condição: SOMP exige cuidado sistêmico que a visão antiga de doença dos ovários fechava.
Filhas de mulheres com SOMP têm risco aumentado?
Sim. O consenso de 2026 reconheceu o componente transgeracional documentado. Filhas têm risco aumentado · mas não é determinismo · é sinal que se beneficia de vigilância precoce. Para adolescentes, os critérios diagnósticos são mais cautelosos: precisa de 3 dos 3 critérios. O C+ Club atende família · não indivíduo isolado · mãe e filha podem fazer acompanhamento coordenado.
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