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Estatina depois dos 75 anos: quando continuar e quando repensar com método

Depois dos 75, manter ou parar a estatina deixa de ser automático. Os critérios que essa decisão considera, caso a caso.

Se você tem mais de 75 anos e toma estatina para o colesterol, provavelmente já se pegou pensando numa pergunta que quase ninguém faz em voz alta: preciso mesmo tomar isso pelo resto da vida? A dúvida é legítima, e agora tem uma ciência de peso ajudando a colocá-la na mesa, do jeito certo, com o médico.

O que o estudo mostrou

O ensaio SAGA/SITE foi um estudo randomizado, realizado em quase 300 unidades de atenção primária. Ele acompanhou 1.180 pessoas de 75 anos ou mais que tomavam estatina há pelo menos um ano apenas para prevenção primária. Prevenção primária quer dizer uma coisa importante, são pessoas que nunca tiveram infarto nem AVC, que tomavam o remédio para tentar evitar um primeiro evento. Cerca de 55 por cento seguiram tomando e 45 por cento suspenderam, por sorteio, e todos foram acompanhados por três anos. Um detalhe do desenho pesa na leitura e merece ser dito: o estudo foi aberto, ou seja, participantes e médicos sabiam quem estava tomando o remédio e quem não estava.

O resultado, segundo o PubMed, PMID 42580354, foi que suspender a estatina foi não inferior a continuar quanto à mortalidade por todas as causas em três anos. Aqui vale ser exato, porque a diferença entre o que o estudo mostrou e o que a manchete sugere é grande. Não inferior não quer dizer igual. Os pesquisadores definiram de antemão uma margem de 5 pontos percentuais em mortalidade, e o que se mediu foi 0,68 ponto percentual a menos no grupo que parou, com faixa estatística que vai de 3,95 pontos a menos até 2,60 pontos a MAIS. Ou seja, os dados também são compatíveis com suspender custando mais vidas, dentro daquela margem. E o estudo mediu apenas mortalidade: infarto e AVC não foram o desfecho principal. Por isso os autores concluem que a decisão pode ser individualizada, com o médico.

O estudo que saiu depois, e que muda a conversa

Em 29 de agosto de 2026, cinco dias depois de este texto ir ao ar, o New England Journal of Medicine publicou o STAREE, segundo o PubMed, PMID 42670961. É o maior ensaio já feito nessa faixa etária: 9.971 pessoas de 70 anos ou mais, sem doença cardiovascular, sem diabetes e sem demência, sorteadas para atorvastatina 40 mg ou placebo, com acompanhamento mediano de quase 6 anos, e desta vez em estudo cego, sem que ninguém soubesse quem tomava o quê. Nesse grupo, a estatina reduziu eventos cardiovasculares maiores, com risco 30 por cento menor, de 15,5 para 10,9 eventos por mil pessoas ao ano. Ao mesmo tempo, ela não prolongou o tempo de vida livre de incapacidade, que era o outro desfecho medido.

Os dois resultados não se contradizem, e entender por quê é o que separa informação de susto. São perguntas diferentes: o SAGA/SITE pergunta se parar um remédio já em uso aumenta a mortalidade em três anos, e o STAREE pergunta se começar previne infarto e AVC ao longo de seis. As populações também diferem, porque o STAREE excluiu quem tem diabetes e quase um terço dos participantes do outro estudo tinha. A leitura honesta das duas coisas juntas é esta: parar não é automaticamente perigoso, continuar não é automaticamente desnecessário, e é exatamente por isso que a decisão é individual. A grande revisão de 28 ensaios publicada na Lancet em 2019, segundo o PubMed, PMID 30712900, já dizia que faltava evidência direta acima dos 75 anos em quem não tem doença vascular, e que novos estudos estavam a caminho. Eles chegaram.

O que isso não significa

Aqui entra o cuidado que a C+Med faz questão de repetir, porque manchete sem contexto vira risco. Este resultado não vale para quem já teve infarto, AVC ou outra doença cardiovascular estabelecida, o que se chama de prevenção secundária. Nesse caso, a estatina tem papel bem definido e a conversa é outra. E, em nenhuma hipótese, este estudo autoriza alguém a largar remédio por conta própria. Remédio se ajusta com avaliação, exame e acompanhamento, nunca no impulso ou por causa de um texto na internet.

Se você tem mais de 75 anos e quer entender o seu caso do coração e do colesterol com método, fale com a equipe da C+Med pelo WhatsApp e agende uma avaliação.

Por que isso conversa com o Método Cemed

A filosofia da casa é a Gestão Biológica Integrada, cuidar do corpo como uma malha conectada e tomar decisão com base em medida, não em achismo. O que este estudo traz é exatamente isso, a ideia de que, na maturidade, cada remédio merece ser revisto de tempos em tempos, pesando benefício, risco e o momento de vida da pessoa. Não é sobre tomar menos por tomar menos, nem sobre tomar mais por medo. É sobre a dose certa de cuidado, sustentada por exame e por conversa franca com o médico.

Para o idoso em prevenção primária, isso pode significar uma revisão tranquila da necessidade da estatina. Para quem tem doença cardiovascular, pode significar reforçar o tratamento. A régua é a mesma para os dois, decisão individualizada, com método.

O próximo passo

O melhor caminho não é decidir sozinho, num sentido ou no outro. É levar essa conversa para uma avaliação, com os seus exames na mesa e a sua história de saúde considerada por inteiro. É assim que se separa o susto da decisão.

Quer repensar os seus remédios da maturidade com quem cuida do corpo como um todo? Fale com a equipe da C+Med pelo WhatsApp e agende a sua avaliação preventiva.


Fontes, segundo o PubMed. SAGA/SITE, PMID 42580354, DOI 10.1016/j.lanhl.2026.100884, The Lancet Healthy Longevity, 11 de agosto de 2026. STAREE, PMID 42670961, DOI 10.1056/NEJMoa2607314, The New England Journal of Medicine, 29 de agosto de 2026. Meta-analise de 28 ensaios, PMID 30712900, DOI 10.1016/S0140-6736(18)31942-1, The Lancet, 2019. Data de acesso, 9 de setembro de 2026.

Conteúdo produzido pela equipe C+Med com validação médica da casa, base do Método CEMED e do C+ Club. Este material é informativo e não substitui a avaliação médica individual. Nenhuma conduta deve ser iniciada ou interrompida sem orientação do seu médico.


Referências

  1. Discontinuation of statins for primary prevention of atherosclerotic cardiovascular disease in adults aged 75 years or older (SAGA/SITE): a multicentre, open-label, pragmatic, non-inferiority randomised trial · Bonnet F, Poulizac P, Rousselot N · The lancet. Healthy longevity · 2026 Aug 11
  2. Efficacy and safety of statin therapy in older people: a meta-analysis of individual participant data from 28 randomised controlled trials · The Lancet · 2019
  3. Atorvastatin, Cardiovascular Events, and Disability-free Survival in Older Adults (STAREE) · Zoungas S, Wolfe R, Moran C · The New England Journal of Medicine · 2026 Aug 29

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